O meu primeiro livro de poemas

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segunda-feira, 3 de março de 2014

De mãos dadas

Foi depois do fim das aulas.
Passaram o portão de ferro da escola
e deram as mãos
para atravessarem a rua.
E, de mãos dadas, formaram
uma corrente
tão poderosa, tão compacta,
que o trânsito teve mesmo de parar
e ficou completamente imobilizado. Não vou ceder
agora à tentação
de afirmar que assisti
à materialização de um milagre,
afinal é coisa
que deve estar sempre a acontecer,
em algum lugar, ao fim
da manhã ou da tarde, logo
depois das aulas,
dois adolescentes dão
as mãos, atravessam a rua, bloqueiam
a circulação rodoviária
de uma cidade.
Mas pensa nisso por um segundo,
pensa na força dessa corrente.
                                      Luís Filipe Parrado

sábado, 15 de fevereiro de 2014

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Amo-te
A mote
Am ote
Amot e
Amote muito.

Amuo-te?
Amolo-te?
Amolgo-te?

Adoro-te
Imploro-te
Agoro-te.




Paulo José Borges


domingo, 2 de fevereiro de 2014

Poema de uma nota só

Repito amiúde a dor
Que abomina.
Reservo energias inexauríveis
Que estilhaçam.

Revolvo mundos paralelos de enganos
Que me deixam
Numa nota: só.


Paulo José Borges

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

És demasiado novo


"És demasiado novo
Para entenderes certas coisas."

Imberbe nas vias sinuosas
Cândido a subires patamares de elevador -
- és demasiado novo para intuíres que as coisas
Não são (para) saberes.

E que se o souberes
Morres
Sempre demasiado novo.

Paulo José Borges

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Obrigadinho Escher




Estou cheio de ideias avisadas
Ressalvo já.
Só desconheço as escadas
Que vão dar lá.



                          Paulo José Borges

Maurits Cornelis Escher