Acho que me poderia apaixonar pelo teu
Perfume, disse ela sussurrando de soslaio.
Mas eu não estou a usar nenhum, retorqui atónito.
Eu seio.
Paulo José Borges
quinta-feira, 15 de maio de 2014
terça-feira, 29 de abril de 2014
quinta-feira, 24 de abril de 2014
Four / Twenty five (esboço #40)
Abril encarnou na praça
Uma canção cravejada de flores
E o povo saiu à rua
De lágrimas em punho.
O momento respirou fundo a ganhar tempo
E acordaram todos felizes para sempre.
Paulo José Borges
Uma canção cravejada de flores
E o povo saiu à rua
De lágrimas em punho.
O momento respirou fundo a ganhar tempo
E acordaram todos felizes para sempre.
Paulo José Borges
quinta-feira, 17 de abril de 2014
POEMA INVADIDO POR ROMANOS de Juan Manuel Roca
Os romanos eram maliciosos.
Encheram a Europa de ruínas
Conjurados com o tempo.
Conjurados com o tempo.
Interessava-lhes o futuro,
Os traços mais do que as pegadas.
Os traços mais do que as pegadas.
Os romanos, Cassandra, eram manhosos.
Não imaginaram o Aqueduto de Segóvia
Como uma conduta de água e de luz.
Pensaram-no como vestígio,
Como um absorto passado.
Como uma conduta de água e de luz.
Pensaram-no como vestígio,
Como um absorto passado.
Semearam de edifícios musgosos a Europa,
De estátuas acéfalas
Engolidas pela glória de Roma.
De estátuas acéfalas
Engolidas pela glória de Roma.
Não fizeram o Coliseu
Para que os tigres devorassem
Por capricho seu os cristãos,
tão pouco apetecíveis,
Nem para ver trespassados
Como aperitivos do inferno
os exércitos de Espártaco.
Para que os tigres devorassem
Por capricho seu os cristãos,
tão pouco apetecíveis,
Nem para ver trespassados
Como aperitivos do inferno
os exércitos de Espártaco.
Pensaram a sua ruína, uma ruína proporcional
à sombra mordida pelo sol que agoniza.
à sombra mordida pelo sol que agoniza.
O meu amigo Dino Campana
Poderia ter saltado à jugular
De um dos seus deuses de mármore.
Poderia ter saltado à jugular
De um dos seus deuses de mármore.
Os romanos dão muito em que pensar.
Por exemplo,
Num cavalo de bronze
da Piazza Bianca.
No momento de o restaurar,
Ao assomarem à boca aberta,
Encontraram no ventre
esqueletos de pombas.
Num cavalo de bronze
da Piazza Bianca.
No momento de o restaurar,
Ao assomarem à boca aberta,
Encontraram no ventre
esqueletos de pombas.
Como o teu amor,
Que se torna ruína
Quando mais o construo.
Que se torna ruína
Quando mais o construo.
O tempo é romano.
de Juan Manuel Roca traduzido por Nuno Júdice in http://bibliotecariodebabel.com/
domingo, 23 de março de 2014
A ponte suspensa
Cada manhã
O rio desponta obcecante.
A tabuleiro estendido, de braços abertos
Serve uma dose mágica de ebulição.
As combustões eletrificam os ares.
E os momentos em suspensão
São dores, espasmos de coisas
Que ainda não são.
Paulo José Borges

Rui Cavaleiro
O rio desponta obcecante.
A tabuleiro estendido, de braços abertos
Serve uma dose mágica de ebulição.
As combustões eletrificam os ares.
E os momentos em suspensão
São dores, espasmos de coisas
Que ainda não são.
Paulo José Borges

Rui Cavaleiro
sexta-feira, 21 de março de 2014
A felicidade (no dia da poesia)
A felicidade
Cai
No lado errado
Da Sorte.
A felicidade
Cai
Longe das minhas mãos.
A felicidade
despenha-se
entre as árvores
toda a gente se queixa.
Sam Shepard
Cai
No lado errado
Da Sorte.
A felicidade
Cai
Longe das minhas mãos.
A felicidade
despenha-se
entre as árvores
toda a gente se queixa.
Sam Shepard
segunda-feira, 17 de março de 2014
Reboot
At the end of the day, como diz o outro,
O que há lá para nós?
Um cansaço baço, denso, propenso a distensões,
dissensões do ser.
Por inércia não se tem pressa, por inépcia
Se descarrega o tónus, o alor.
Se não se sopesa, se não se vigia, ora...
Monitor going to sleep.
Paulo José Borges
O que há lá para nós?
Um cansaço baço, denso, propenso a distensões,
dissensões do ser.
Por inércia não se tem pressa, por inépcia
Se descarrega o tónus, o alor.
Se não se sopesa, se não se vigia, ora...
Monitor going to sleep.
Paulo José Borges
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