Chorei muito por segundos
Incrédulo só hoje me apercebi
Aqui defronte o apartamento à venda
Faz-me tão triste brevemente.
Um lar desfeito por crise ou morte
Ou nada disto ou má sorte.
Saíram tão apressadamente que o Pai Natal ficou pendurado de costas na balaustrada da varanda
Choro muito como se fosse o cheiro a barbearia.
Porque já não há Natal em agosto.
Paulo José Borges
quinta-feira, 2 de outubro de 2014
quarta-feira, 27 de agosto de 2014
Claraboia
His was an impenetrable darkness
Joseph Conrad
Saiu para a noite como se
fosse a única.
Mal sabia ele que o negrume
é um mar insondável.
Subiu na vaga,
Imergiu nos espetros submarinos
Que são todas as incógnitas em cada
Aresta de vento.
Húmido de segredo cerrou os olhos
Com toda a força
E mil sóis brilharam ao largo do lamento.
E, por tanto
Vogou.
Paulo José Borges, prompted by Rui Cavaleiro:
Joseph Conrad
Saiu para a noite como se
fosse a única.
Mal sabia ele que o negrume
é um mar insondável.
Subiu na vaga,
Imergiu nos espetros submarinos
Que são todas as incógnitas em cada
Aresta de vento.
Húmido de segredo cerrou os olhos
Com toda a força
E mil sóis brilharam ao largo do lamento.
E, por tanto
Vogou.
Paulo José Borges, prompted by Rui Cavaleiro:
segunda-feira, 25 de agosto de 2014
Poema Secreto
[Em estreia mundial - um poema concebido especificamente para o espaço virtual]
Poema Secreto
(Agora aproxima uma chama do ecrã, pois o poema foi escrito com sumo de limão.
Relê-o.
Entendeste-o agora?
Resposta errada. Não é essa a função da poesia.
Tenta outra vez.)
Paulo José Borges
Poema Secreto
(Agora aproxima uma chama do ecrã, pois o poema foi escrito com sumo de limão.
Relê-o.
Entendeste-o agora?
Resposta errada. Não é essa a função da poesia.
Tenta outra vez.)
Paulo José Borges
terça-feira, 8 de julho de 2014
Poema tímido
Espreitou-me um verso
A ver se estava alguém.
Corado avistou-me:
diz que já não vem.
Paulo José Borges
A ver se estava alguém.
Corado avistou-me:
diz que já não vem.
Paulo José Borges
sexta-feira, 13 de junho de 2014
Plural
(a Fernando Pessoa)
Eu próprio de mim mesmo
Sei dois que são prisioneiros
De mais quantos se bem recordo
São milhentos.
Paulo José Borges
Eu próprio de mim mesmo
Sei dois que são prisioneiros
De mais quantos se bem recordo
São milhentos.
Paulo José Borges
terça-feira, 10 de junho de 2014
Tanto de meu estado me acho incerto
Tanto de meu estado me acho incerto,
Que em vivo ardor tremendo estou de frio;
Sem causa, juntamente choro e rio,
O mundo todo abarco, e nada aperto.
É tudo quanto sinto um desconcerto:
Da alma um fogo me sai, da vista um rio;
Agora espero, agora desconfio;
Agora desvario, agora acerto.
Estando em terra, chego ao céu voando;
Num' hora acho mil anos, e é de jeito
Que em mil anos não posso achar um' hora.
Se me pergunta alguém porque assim ando,
Respondo que não sei; porém suspeito
Que só porque vos vi, minha Senhora.
Luís Vaz de Camões, in "Sonetos"
Que em vivo ardor tremendo estou de frio;
Sem causa, juntamente choro e rio,
O mundo todo abarco, e nada aperto.
É tudo quanto sinto um desconcerto:
Da alma um fogo me sai, da vista um rio;
Agora espero, agora desconfio;
Agora desvario, agora acerto.
Estando em terra, chego ao céu voando;
Num' hora acho mil anos, e é de jeito
Que em mil anos não posso achar um' hora.
Se me pergunta alguém porque assim ando,
Respondo que não sei; porém suspeito
Que só porque vos vi, minha Senhora.
Luís Vaz de Camões, in "Sonetos"
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