Com mãos se faz a paz se faz a guerra
Com mãos tudo se faz e se desfaz
Com mãos se faz o poema ─ e são de terra.
Com mãos se faz a guerra ─ e são a paz.
Com mãos se rasga o mar. Com mãos se lavra.
Não são de pedra estas casas mas
de mãos. E estão no fruto e na palavra
as mãos que são o canto e são as armas.
E cravam-se no Tempo como farpas
as mãos que vês nas coisas transformadas.
Folhas que vão no vento: verdes harpas.
De mãos é cada flor cada cidade.
Ninguém pode vencer estas espadas:
nas tuas mãos começa a liberdade.
manuel alegre
o canto e as armas
quinta-feira, 23 de abril de 2015
terça-feira, 17 de fevereiro de 2015
História de desembalar
Nessa altura todos acordaram
Felizes para sempre.
Tudo não tinha passado de um sonho.
Paulo José Borges
Felizes para sempre.
Tudo não tinha passado de um sonho.
Paulo José Borges
segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015
Suspension bridge
Each morning
The river emerges blinding.
The stretched tray with open arms
Serves a magical dose of boiling.
The combustions electrify the air.
And the moments in suspension
Are sorrows, spasms of things
Which are not yet.
Paulo José Borges
The river emerges blinding.
The stretched tray with open arms
Serves a magical dose of boiling.
The combustions electrify the air.
And the moments in suspension
Are sorrows, spasms of things
Which are not yet.
Paulo José Borges
sexta-feira, 30 de janeiro de 2015
Casa
As folhas caem-te se não resolves essa solidão.
Casa.
Engendra-te outro. Alicerça-te.
Escora-te.
Funda-te.
Casa.
As plantas caem-te todas da mão.
Casa.
Engendra-te outro. Alicerça-te.
Escora-te.
Funda-te.
Casa.
As plantas caem-te todas da mão.
segunda-feira, 12 de janeiro de 2015
Escorregadio empedrado
Dantes os áugures
Profetizavam predições,
Escreviam no palimpsesto humano, não duvidando
Que nos repetíssemos no avenir da evolução.
Agora, ostracizados, lançam-nos
Pedras para o caminho como Drummond.
No trilho incerto futuramos repetidas quedas
Expostas em feridas.
Remediamo-nos com betadines, pensos e birras.
Paulo José Borges
ouve aqui se te aprouver
Profetizavam predições,
Escreviam no palimpsesto humano, não duvidando
Que nos repetíssemos no avenir da evolução.
Agora, ostracizados, lançam-nos
Pedras para o caminho como Drummond.
No trilho incerto futuramos repetidas quedas
Expostas em feridas.
Remediamo-nos com betadines, pensos e birras.
Paulo José Borges
ouve aqui se te aprouver
segunda-feira, 15 de dezembro de 2014
Natal up-to-date
Em vez da consoada há um baile de máscaras.
Na filial do Banco erigiu-se um Presépio.
Todos estes pastores são jovens tecnocratas
que usarão dominó já na próxima década.
Chega o rei do petróleo a fingir de Rei Mago.
Chega o rei do barulho e conserva-se mudo,
enquanto se não sabe ao certo o resultado
dos que vêm sondar a reacção do público.
Nas palhas do curral ocultam microfones
O lajedo em redor é de pedras da Lua.
Rainhas de beleza vêm de helicóptero
e é provável até que se apresentem nuas.
Eis que surge no céu a estrela prometida.
Mas é para apontar mais um supermercado
onde se vende pão já transformado em cinza
para que o ritual seja muito mais rápido.
Assim a noite passa. E passa tão depressa
que a meia-noite em vós nem se demora um pouco.
Só Jesus no entanto é que não comparece.
Só Jesus afinal não quer nada convosco.
David-Mourão Ferreira
Na filial do Banco erigiu-se um Presépio.
Todos estes pastores são jovens tecnocratas
que usarão dominó já na próxima década.
Chega o rei do petróleo a fingir de Rei Mago.
Chega o rei do barulho e conserva-se mudo,
enquanto se não sabe ao certo o resultado
dos que vêm sondar a reacção do público.
Nas palhas do curral ocultam microfones
O lajedo em redor é de pedras da Lua.
Rainhas de beleza vêm de helicóptero
e é provável até que se apresentem nuas.
Eis que surge no céu a estrela prometida.
Mas é para apontar mais um supermercado
onde se vende pão já transformado em cinza
para que o ritual seja muito mais rápido.
Assim a noite passa. E passa tão depressa
que a meia-noite em vós nem se demora um pouco.
Só Jesus no entanto é que não comparece.
Só Jesus afinal não quer nada convosco.
David-Mourão Ferreira
sábado, 13 de dezembro de 2014
Enganei-me
Quando eu era pequenino
A minha mãe sempre me dizia:
Atravessa duas vezes antes de olhar.
Não. Isso era uma canção
De Sérgio Buarque.
Paulo José Borges
A minha mãe sempre me dizia:
Atravessa duas vezes antes de olhar.
Não. Isso era uma canção
De Sérgio Buarque.
Paulo José Borges
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