O meu primeiro livro de poemas

já está disponível O MEU PRIMEIRO LIVRO DE POEMAS
pedidos através de: paulojoseborges.escritor@gmail.com

quarta-feira, 8 de julho de 2015

Solo lunar (this is not a trick)


Abriste uma cratera em mim
Vazia como um abraço desfeito
Lá dentro sinto-me vago e incerto
E nado ostensivamente sem efeito.

Bem queria ser astronauta
Que pudesse viajar em câmara lenta
E com argamassa densa
Tapar este abismo que desalenta.

Choro convulsivamente
E a imagem no ecrã é pouco evidente
A Terra fugiu de mim
E este buraco negro chegou ao fim.

             Paulo José Borges




desenho de Rui Cavaleiro

terça-feira, 28 de abril de 2015

Kodak

O pai à direita do sol
(o sol estava no centro - é incrível)
A mãe à esquerda parecia uma
Nebulosa indistinta
O filho abaixo como se fosse uma rola ou
Quase um espectro

O meu tio nunca entendeu que não se podem tirar
Fotografias à contraluz

Valha-me Deus


                    Paulo José Borges

sexta-feira, 24 de abril de 2015

Four / Twenty Five (esboço #41)

Abril encarnou na praça
Uma canção cravejada de flores
E o povo saiu à rua
De lágrimas em punho.

O momento respirou fundo a ganhar tempo
E acordaram todos felizes para sempre.


                     Paulo José Borges

quinta-feira, 23 de abril de 2015

Abril antes de Abril

Com mãos se faz a paz se faz a guerra
Com mãos tudo se faz e se desfaz
Com mãos se faz o poema ─ e são de terra.
Com mãos se faz a guerra ─ e são a paz.


Com mãos se rasga o mar. Com mãos se lavra.
Não são de pedra estas casas mas
de mãos. E estão no fruto e na palavra
as mãos que são o canto e são as armas.

E cravam-se no Tempo como farpas
as mãos que vês nas coisas transformadas.
Folhas que vão no vento: verdes harpas.

De mãos é cada flor cada cidade.
Ninguém pode vencer estas espadas:
nas tuas mãos começa a liberdade.



manuel alegre
o canto e as armas

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

História de desembalar

Nessa altura todos acordaram
Felizes para sempre.

Tudo não tinha passado de um sonho.


                        Paulo José Borges

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

Suspension bridge

Each morning
The river emerges blinding.

The stretched tray with open arms
Serves a magical dose of boiling.

The combustions electrify the air.
And the moments in suspension
Are sorrows, spasms of things
Which are not yet.


                         Paulo José Borges

sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Casa

As folhas caem-te se não resolves essa solidão.
Casa.
Engendra-te outro. Alicerça-te.
Escora-te.
Funda-te.
Casa.
As plantas caem-te todas da mão.


                        Paulo José Borges

                                 Rui Cavaleiro