Que isto tudo é um grande jogo
De xadrez, já o sabemos, Ricardo.
E que as luas altas vivem, também, só para escarnecer
De nós.
De Lídia nem falo, pois éreis apenas crianças.
Nada do que faça é mais alto do que
Uma colina de rebanhos mal apascentados.
Nada importa.
Vou morrer inócuo, iníquo, infame como uma criada miserável.
Como implosão da bomba nuclear que foi o meu nascimento.
Paulo José Borges
sexta-feira, 13 de novembro de 2015
domingo, 1 de novembro de 2015
terça-feira, 22 de setembro de 2015
Minha pátria
Compatriotas meus
Meus poemas correm céleres para os céus
Morrem cedo pela bandeira
Que é solo pisado por
Migrações de alma verdadeira.
Honram o sangue belicosos que
É instável e que procura
O Escondido que perdura.
Versos meus combatentes de
Um combate já perdido - meu peito
Mausoléu de soldado desconhecido.
Paulo José Borges
domingo, 20 de setembro de 2015
Mascarada
Dou por mim
Numa fase em que
Cada rosto com que me cruzo
Me parece familiar.
Felizes, cansados, irados, todos conhecidos
Em tese.
Arquétipos do meu passado.
Mas na verdade
Se os interrogo
Ninguém me conhece
Ninguém.
Nem mesmo tu.
Paulo José Borges
Numa fase em que
Cada rosto com que me cruzo
Me parece familiar.
Felizes, cansados, irados, todos conhecidos
Em tese.
Arquétipos do meu passado.
Mas na verdade
Se os interrogo
Ninguém me conhece
Ninguém.
Nem mesmo tu.
Paulo José Borges
segunda-feira, 31 de agosto de 2015
Vasco da Gama
Que havia de oferecer ao momento?
Grandes vagas me acompanharam por um tempo
Monstros marinhos de largos focinhos
Ventos amainantes de sono de elefantes.
E as memórias que levava comigo?
Deuses vastos me levaram ao perigo
A países tamanhos de corpos castanhos
A trevas distantes de mínimos e gigantes.
Mas o leme agarrou-se a mim como amante –
– Astrolábio seguro mostrava-me o céu
Galgámos terreno com passo confiante.
E a mais nobre fortuna que Deus nos deu?
Com mais vigor fomos adiante
Do mundo todo levantámos o véu.
Paulo José Borges
desenho de Rui Cavaleiro
sábado, 22 de agosto de 2015
Cinco meses antes
Até já.
Gostei muito de te conhecer
Vida da minha vida.
Mas antes de ires diz-me a saída.
Paulo José Borges
quarta-feira, 22 de julho de 2015
Poeiras assentadas
Passaram vinte anos e ficou um tabuleiro de xadrez
novinho por estrear nos arrumos, perdido entre livros e trapos antigos,
vestidos para saldar.
As peças soltas ainda cerradas na caixa nunca cavalgaram como nós
em pradarias engendradas. Ficaram encavalitadas em clérigos, torres e peões
ao lado en passant.
Tivera eu recorrido a um gambito de Evans e tu toda indefesa siciliana,
ou contrapondo uma abertura Réti a ti defesa espanhola,
outras linhas escaquísticas, outros seres nós seríamos.
Paulo José Borges
novinho por estrear nos arrumos, perdido entre livros e trapos antigos,
vestidos para saldar.
As peças soltas ainda cerradas na caixa nunca cavalgaram como nós
em pradarias engendradas. Ficaram encavalitadas em clérigos, torres e peões
ao lado en passant.
Tivera eu recorrido a um gambito de Evans e tu toda indefesa siciliana,
ou contrapondo uma abertura Réti a ti defesa espanhola,
outras linhas escaquísticas, outros seres nós seríamos.
Paulo José Borges
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