O meu primeiro livro de poemas

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terça-feira, 12 de janeiro de 2016

Poema dulcíssimo

O teu amor está cada vez
Mais enjoativo. Diabético.
Disse-mela.

                  Paulo José Borges

terça-feira, 22 de dezembro de 2015

Endereço Insuficiente

A bicicleta a secar esvoaçante e a roupa à janela
Estacionada.

E de lá do alto nas águas-furtadas bem te espiei eu tantas vezes
Em sonhos enrolados de febres e torpores cronologicamente regulados
Pelas tuas saias cheias de personalidade
Negligenciando os joelhos reluzentes.

Cresceste traiçoeira como o são todas
As idades.

A bicicleta a secar a roupa estacionada
E cá do fundo do peito busco tudo o que foi
E nada nada.


                                    Paulo José Borges

prompted by Rui Cavaleiro



sexta-feira, 13 de novembro de 2015

Catch 1969

Os meus pais quiseram-
-me tanto, tanto, tanto
                tanto
                        tanto
                                tanto
tanto, tanto, tanto, tanto, tanto, tanto
                   tanto mesmo
tanto
tanto
TANTO

que nem que eu vivesse cem vidas lhes poderia alguma vez pagar.


                                    Paulo José Borges


Tabuleiro já inclinado

Que isto tudo é um grande jogo
De xadrez, já o sabemos, Ricardo.
E que as luas altas vivem, também, só para escarnecer
De nós.

De Lídia nem falo, pois éreis apenas crianças.

Nada do que faça é mais alto do que
Uma colina de rebanhos mal apascentados.

Nada importa.
Vou morrer inócuo, iníquo, infame como uma criada miserável.
Como implosão da bomba nuclear que foi o meu nascimento.

                              Paulo José Borges

domingo, 1 de novembro de 2015

terça-feira, 22 de setembro de 2015

Minha pátria



Compatriotas meus
Meus poemas correm céleres para os céus
Morrem cedo pela bandeira
Que é solo pisado por
Migrações de alma verdadeira.

Honram o sangue belicosos que
É instável e que procura
O Escondido que perdura.

Versos meus combatentes de
Um combate já perdido - meu peito
Mausoléu de soldado desconhecido.



                                               Paulo José Borges

domingo, 20 de setembro de 2015

Mascarada

Dou por mim
Numa fase em que
Cada rosto com que me cruzo
Me parece familiar.

Felizes, cansados, irados, todos conhecidos
Em tese.
Arquétipos do meu passado.

Mas na verdade
Se os interrogo
Ninguém me conhece
Ninguém.

Nem mesmo tu.

                         Paulo José Borges