O meu primeiro livro de poemas

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sábado, 19 de março de 2016

Uma cidade no teu apartamento

"a city that always makes me think of a whited sepulchre"  
Heart of Darkness, Joseph Conrad 



E regressas ao sepulcro branco que 
Com esmero mandaste erigir.
Criaste-o de branco por fora e por dentro.
Tomaste-o como teu que assim desde sempre o desejaste. 
Rolaste a pedra e meteste-te dentro enroscado.
Aí no interior só te acompanham vagos ruídos de fora dos cães que ladram
Ladram e ladram
Mas a caravana não passa, não passa, não passa.


                                               Paulo José Borges


terça-feira, 15 de março de 2016

Los Borges

Nada o muy poco sé de mis mayores
portugueses, los Borges: vaga gente
que prosigue en mi carne, oscuramente,
sus hábitos, rigores y temores.

Tenues como si nunca hubieran sido
y ajenos a los trámites del arte,
indescifrablemente forman parte
del tiempo, de la tierra y del olvido.

Mejor así. Cumplida la faena,
son Portugal, son la famosa gente
que forzó las murallas del Oriente

y se dio al mar y al otro mar de arena.
Son el rey que en el místico desierto
se perdió y el que jura que no ha muerto.

                          Jorge Luís Borges

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Primeiro poema do tempo comum

Aqui não há nada para ver.

Queres revelações? Desvendar de segredos?
Nada.

É dia após dia 
E abriga-te de pensar.

O caminho é um beco sem sentido
E o comum é desconfiar.

Siga. Andor. É circular.


                                         Paulo José Borges

sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

Poema dos intervalos de infelicidade














                                                   Paulo José Borges

quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

The clock is ticking.

O tempo passa célere, rápido, voraz, ligeiro.
O tempo quer chegar primeiro.

O tempo é o criminoso letal que trazes contigo.

Cada milénio, cada século, cada ano, cada mês, cada hora, cada minuto 
O tempo tudo arrasa
Infracções de segundo.

                     Paulo José Borges

terça-feira, 12 de janeiro de 2016

Poema dulcíssimo

O teu amor está cada vez
Mais enjoativo. Diabético.
Disse-mela.

                  Paulo José Borges

terça-feira, 22 de dezembro de 2015

Endereço Insuficiente

A bicicleta a secar esvoaçante e a roupa à janela
Estacionada.

E de lá do alto nas águas-furtadas bem te espiei eu tantas vezes
Em sonhos enrolados de febres e torpores cronologicamente regulados
Pelas tuas saias cheias de personalidade
Negligenciando os joelhos reluzentes.

Cresceste traiçoeira como o são todas
As idades.

A bicicleta a secar a roupa estacionada
E cá do fundo do peito busco tudo o que foi
E nada nada.


                                    Paulo José Borges

prompted by Rui Cavaleiro