Eu
Eu acho, eu creio, julgo
Eu
Eu tenho a certeza, eu sei
Eu sou teu amigo, mas se estivesse no teu lugar fazia assim
Eu sei bem o que isso é
Eu já passei por isso, nem me fales
Eu não concordo, não é assim que eu vejo as coisas
Eu penso que tu não podes ser assim
Eu nem entendo por que é que te queixas
Eu sei aquilo por que estás a passar
Eu imagino o que estás a sentir
Eu vou-te ajudar
Eu
Não precisas de me agradecer.
Paulo José Borges
domingo, 23 de outubro de 2016
quarta-feira, 14 de setembro de 2016
Dreamtigers II
a Jorge Luis Borges
Os tigres, três, são
Labirintos engendrados.
Refletem-se em sonhos mal visíveis,
Deambulam amblíopes em ambíguos espelhos
De lendas, sagas e de circos
Que em criança eu cravei na memória.
Depois, fugidios, em bibliotecas de papel, babel, digo,
Os procurei, qual conjurado,
Até me voltarem de novo
Em arquétipos dourados de garras
E de mel.
Paulo José Borges
Os tigres, três, são
Labirintos engendrados.
Refletem-se em sonhos mal visíveis,
Deambulam amblíopes em ambíguos espelhos
De lendas, sagas e de circos
Que em criança eu cravei na memória.
Depois, fugidios, em bibliotecas de papel, babel, digo,
Os procurei, qual conjurado,
Até me voltarem de novo
Em arquétipos dourados de garras
E de mel.
Paulo José Borges
Eternal Sunshine
para Suzana
A memória cresce pequenina, fraquinha,
Ou esquecida da vida que foi.
Mas cresce como águas declinadas de montanhas voadoras.
Cresce em sabedoria, em RAMS e ROMS e faz spotless backups nos
Riscos duros da vida.
A memória é lembrares-te de mim
Mesmo toda formatada ou com hard reset.
A memória é a ligação sem fios à tua bondade.
Paulo José Borges
sábado, 3 de setembro de 2016
segunda-feira, 29 de agosto de 2016
A curva do amor (lido por Rui Cavaleiro)
#MestreRabiscador #ACurvaDoAmor @Paulborgmeister pic.twitter.com/zhGN50TZ9y
— Rui Cavaleiro (@Rui_Cavaleiro_) 29 de agosto de 2016
A curva do amor
O amor quando acordou de manhã foi dar uma curva
Andou de dança tentacular como se tivesse oito vidas.
Deixou veneno polvilhado em todo o corpo do ser amado.
Tão grande era sua persistência que com mil olhos
Aumentava a sua aderência.
Mas a mulher no final
Só viu pó no fim do sonho. Ou como se diz em espanhol
Polvo.
Andou de dança tentacular como se tivesse oito vidas.
Deixou veneno polvilhado em todo o corpo do ser amado.
Tão grande era sua persistência que com mil olhos
Aumentava a sua aderência.
Mas a mulher no final
Só viu pó no fim do sonho. Ou como se diz em espanhol
Polvo.
Paulo José Borges
desenho de Rui Cavaleiro
segunda-feira, 15 de agosto de 2016
Objects in the mirror are closer than they appear
(Poema do retrovisor)
Vias sinuosas (long and winding roads),
Surgem-nos em patamares, arcades, que temos de completar para
Sermos homens.
Mas não é uma partida que nos salva, nem a fuga com a barriga para frente
Que nos impele a bater recordes.
É saber ir ao lado esquerdo da estrada só as vezes necessárias para
Com toda a minúcia ultrapassar as pedras que as retinas cansadas
Nos semeiam nas artérias.
E, por fim, intuímos que olhar para trás, estúpido Orfeu,
Engana-nos toda a saída.
Paulo José Borges
Vias sinuosas (long and winding roads),
Surgem-nos em patamares, arcades, que temos de completar para
Sermos homens.
Mas não é uma partida que nos salva, nem a fuga com a barriga para frente
Que nos impele a bater recordes.
É saber ir ao lado esquerdo da estrada só as vezes necessárias para
Com toda a minúcia ultrapassar as pedras que as retinas cansadas
Nos semeiam nas artérias.
E, por fim, intuímos que olhar para trás, estúpido Orfeu,
Engana-nos toda a saída.
Paulo José Borges
desenho de Rui Cavaleiro
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