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sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Poema ébrio

Ia agora deliciar-vos com um poema cheio de amor
E de esperança, uma espécie de presente de Natal antecipado.
Mas bebi demais, tenho a cabeça a andar à roda.
Absinto muito.


                                           Paulo José Borges

quarta-feira, 26 de outubro de 2016

Poema pela metade

Sempre gostei de castelos, muralhas e ameias, princesa.
Amei-as porque enquanto escalava era a mim que eu resgatava.

Mas tu permaneceste sempre inexorável
E fingir amor é devassá-lo.

Apesar de tudo, tantos despojos depois, ainda acredito que
Podíamos ter sido felizes a meias.


                                                                    Paulo José Borges

domingo, 23 de outubro de 2016

Poema em mim menor

Eu
Eu acho, eu creio, julgo
Eu
Eu tenho a certeza, eu sei
Eu sou teu amigo, mas se estivesse no teu lugar fazia assim
Eu sei bem o que isso é
Eu já passei por isso, nem me fales

Eu não concordo, não é assim que eu vejo as coisas
Eu penso que tu não podes ser assim
Eu nem entendo por que é que te queixas

Eu sei aquilo por que estás a passar
Eu imagino o que estás a sentir
Eu vou-te ajudar
Eu

Não precisas de me agradecer.


                                                               Paulo José Borges

quarta-feira, 14 de setembro de 2016

Dreamtigers II

                                                                                         a Jorge Luis Borges


Os tigres, três, são
Labirintos engendrados.
Refletem-se em sonhos mal visíveis,
Deambulam amblíopes em ambíguos espelhos
De lendas, sagas e de circos
Que em criança eu cravei na memória.

Depois, fugidios, em bibliotecas de papel, babel, digo,
Os procurei, qual conjurado,
Até me voltarem de novo
Em arquétipos dourados de garras
E de mel.


                                          Paulo José Borges