O meu primeiro livro de poemas

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quinta-feira, 20 de abril de 2017

Poema do Carcereiro

mordo os meu lábios com força
beijo como a Florbela mas a mim mesmo.

amordaço-me manieto os meus melhores
intentos
algemo-me agrilhoo-me
coloco bolas pesadas nos pés
sou cativo fechado por dentro.

uso colete de forças
correntes e mergulho de cabeça para baixo:
Houdini de trazer por casa com síndrome de
Estocolmo cercado por dentro.

que soco poderoso no estômago só de
imaginar o rio depois do fosso.

falando verdade
depois de cada passo à bebé olho para trás
e orgulho-me de cada cratera cavada
com desvelo.

o passo seguinte? não sei.
minha mãe, dá licença?

                                                                       Paulo José Borges

(para ouvir clique aqui.)



domingo, 16 de abril de 2017

Erro 404

O verbo que buscais
Não se encontra aqui.

Pesquisai noutro sítio.


                Paulo José Borges

terça-feira, 11 de abril de 2017

Poema do até sempre

olá
vim só dizer-te adeus.

é
os enredos são muito rápidos
nos meus cenários.

dialogámos imenso no meu guião
fizemos tudo
da sedução à rendição
tudo.

fui sempre assim
grandes longas metragens
na minha mente, preenchendo lacunas
entre sorrisos teus
tudo à base de argamassa da ficção.

se te dissesse flores, pedras, rebanhos
era só trama
desesperada.

não
digo-te adeus.
nem sequer será narrativa aberta
fade out
(grande filme)

FINE


                                                                 Paulo José Borges


domingo, 26 de março de 2017

Poema escancarado

Não leves a mal este pequeno reparo

Não te sentes ao meu lado
Não me sorrias não me abraces
Não apareças

Pela tua saudinha
Não faças that thing you do
Não me cheires bem
Não me sorrias não me abraces

Se apareceres desconhece-me
                         desgosta-me

Não me trates bem
Não suporto isso
Não me fales com a tua voz de mil cores

Não me apareças
Não te vás embora
Acima de tudo não te mexas
Que me abalas todo.

Podes ir
Fecha a porta

Não me sorrias não me abraces.

                                                                                Paulo José Borges



sábado, 11 de março de 2017

Poema fechado à chave

desenho de Rui Cavaleiro



Quando menos esperares,
Vou irromper por essa porta,
Cruzar essa entrada,
Enfiar-me por esse acesso,
Ultrapassar esse limiar,
Enveredar por essa abertura,
Penetrar por essa ombreira,
Insinuar-me por essa fenda,
Introduzir-me por esse umbral adentro,
Infiltrar-me por essa soleira,
Galgar esse portão.
E depois nem queiras saber... 

O que não seria se vivesses mais perto...


                                                                                Paulo José Borges


domingo, 5 de março de 2017

Poema de não ver

a cegueira é a primeira e
a última nudez
é voltar à infância num quarto escuro
e rirmo-nos muito
do nervoso
com medo de que quem nos toque
assuste (maior insídia seria que nos abraçassem)
e esperar esperar já de riso
embaciado
afinal quando é que nos acendem a luz



                                                                Paulo José Borges

quarta-feira, 1 de março de 2017

Poema do num sei

o humor pode ser aguda lança
o silêncio pode ser falta de respeito ou ignorância
dar-te conselhos pode ser a mais profunda arrogância

o que queres de mim afinal


                                               

                                                                Paulo José Borges