Volta e meia recordo o início de um romance
em que um condutor viaja por uma estrada sinuosa.
À saída de uma curva encontra um homem desprecavido.
O homem do carro tinha tempo para travar ou para se desviar mas decidiu prosseguir.
Sinto que este acontecimento é uma espécie de metáfora da minha vida.
Só não consigo descodificá-la.
Sou quem conduz? Sou o veículo? Sou a vítima?
Sou a estrada?
Às tantas isto é tudo um grande oxímoro.
Paulo José Borges
segunda-feira, 1 de maio de 2017
quarta-feira, 26 de abril de 2017
Poema do hic et nunc
para o Rui
Acordas, saltas da cama e logo uma
parte de ti
ficou dentro do quarto.
Sais a correr aos pedaços, comes pelo caminho aos bocados,
entras para o comboio, as portas trancam-se e
parte de ti
ficou no cais.
(Esta até a mim me doeu).
Fragmentas-te no sono, enquanto dormitas no trajecto, mas
parte de ti
ficou pendurada na rapariga que, por incrível que pareça,
estava a ler um livro.
Chegas ao trabalho, mas
parte de ti
foi lá ter, a meter a fralda p´ra dentro,
com a barba por fazer.
..........................................................
Regressas. A tua voz ficou lá para trás;
não te trouxeste todo.
Avançaste o dia inteiro a mais de 24 frames
por segundo.
Não te admires se ao espelho deres conta
de te faltarem não sei quantos píxeis.
Ainda não acabaste de chegar.
Parte de ti ficar.
terça-feira, 25 de abril de 2017
Four / Twenty Five (esboço #44)
Abril encarnou na praça
uma canção cravejada de flores
e o povo saiu à rua
de lágrimas em punho.
O momento respirou fundo a ganhar tempo
e acordaram todos felizes para sempre.
Paulo José Borges
quinta-feira, 20 de abril de 2017
Poema do Carcereiro
mordo os meu lábios com força
beijo como a Florbela mas a mim mesmo.
amordaço-me manieto os meus melhores
intentos
algemo-me agrilhoo-me
coloco bolas pesadas nos pés
sou cativo fechado por dentro.
uso colete de forças
correntes e mergulho de cabeça para baixo:
Houdini de trazer por casa com síndrome de
Estocolmo cercado por dentro.
que soco poderoso no estômago só de
imaginar o rio depois do fosso.
falando verdade
depois de cada passo à bebé olho para trás
e orgulho-me de cada cratera cavada
com desvelo.
o passo seguinte? não sei.
minha mãe, dá licença?
Paulo José Borges
(para ouvir clique aqui.)
beijo como a Florbela mas a mim mesmo.
amordaço-me manieto os meus melhores
intentos
algemo-me agrilhoo-me
coloco bolas pesadas nos pés
sou cativo fechado por dentro.
uso colete de forças
correntes e mergulho de cabeça para baixo:
Houdini de trazer por casa com síndrome de
Estocolmo cercado por dentro.
que soco poderoso no estômago só de
imaginar o rio depois do fosso.
falando verdade
depois de cada passo à bebé olho para trás
e orgulho-me de cada cratera cavada
com desvelo.
o passo seguinte? não sei.
minha mãe, dá licença?
Paulo José Borges
(para ouvir clique aqui.)
domingo, 16 de abril de 2017
terça-feira, 11 de abril de 2017
Poema do até sempre
olá
vim só dizer-te adeus.
é
os enredos são muito rápidos
nos meus cenários.
dialogámos imenso no meu guião
fizemos tudo
da sedução à rendição
tudo.
fui sempre assim
grandes longas metragens
na minha mente, preenchendo lacunas
entre sorrisos teus
tudo à base de argamassa da ficção.
se te dissesse flores, pedras, rebanhos
era só trama
desesperada.
não
digo-te adeus.
nem sequer será narrativa aberta
fade out
(grande filme)
FINE
Paulo José Borges
vim só dizer-te adeus.
é
os enredos são muito rápidos
nos meus cenários.
dialogámos imenso no meu guião
fizemos tudo
da sedução à rendição
tudo.
fui sempre assim
grandes longas metragens
na minha mente, preenchendo lacunas
entre sorrisos teus
tudo à base de argamassa da ficção.
se te dissesse flores, pedras, rebanhos
era só trama
desesperada.
não
digo-te adeus.
nem sequer será narrativa aberta
fade out
(grande filme)
FINE
Paulo José Borges
domingo, 26 de março de 2017
Poema escancarado
Não leves a mal este pequeno reparo
Não te sentes ao meu lado
Não me sorrias não me abraces
Não apareças
Pela tua saudinha
Não faças that thing you do
Não me cheires bem
Não me sorrias não me abraces
Se apareceres desconhece-me
desgosta-me
Não me trates bem
Não suporto isso
Não me fales com a tua voz de mil cores
Não me apareças
Não te vás embora
Acima de tudo não te mexas
Que me abalas todo.
Podes ir
Fecha a porta
Não me sorrias não me abraces.
Paulo José Borges
Não te sentes ao meu lado
Não me sorrias não me abraces
Não apareças
Pela tua saudinha
Não faças that thing you do
Não me cheires bem
Não me sorrias não me abraces
Se apareceres desconhece-me
desgosta-me
Não me trates bem
Não suporto isso
Não me fales com a tua voz de mil cores
Não me apareças
Não te vás embora
Acima de tudo não te mexas
Que me abalas todo.
Podes ir
Fecha a porta
Não me sorrias não me abraces.
Paulo José Borges
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