Não creias nela, não a adores, não a esperes e não a ames
Se ela alega que outro já a tem.
Não te vergues, não te contorças de dor. É tudo
Tão indigno de ti.
Larga-a, bebe mais, dorme até ao mais cruel abril.
Não deixes que se cure a doença auto-imune que trazes em ti
- La plus difficile -
A vida.
Paulo José Borges
segunda-feira, 22 de maio de 2017
domingo, 14 de maio de 2017
Poema do Father Mckenzie
Escreve sempre escreve muito.
Envia bilhetinhos cartas missivas epístolas.
Escreve escreve redige tudo.
Envia SMS DMs melga-nos por Messenger.
Bloqueia-nos os silêncios.
Se o sal não salga
a pimenta não arde
o açúcar não adoça
o limão não amarga
escreve ainda mais.
Prega a peixe.
Não permitas que o cerco se feche.
Foge entrelinhas.
Ora ora muito por nós.
Manda-nos um fax um telex um email
um telegrama faz um telefonema
usa o telégrafo
usa o código Morse
tecla SOS com acento no ó.
Paulo José Borges
para ouvires clica aqui
Envia bilhetinhos cartas missivas epístolas.
Escreve escreve redige tudo.
Envia SMS DMs melga-nos por Messenger.
Bloqueia-nos os silêncios.
Se o sal não salga
a pimenta não arde
o açúcar não adoça
o limão não amarga
escreve ainda mais.
Prega a peixe.
Não permitas que o cerco se feche.
Foge entrelinhas.
Ora ora muito por nós.
Manda-nos um fax um telex um email
um telegrama faz um telefonema
usa o telégrafo
usa o código Morse
tecla SOS com acento no ó.
Paulo José Borges
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segunda-feira, 1 de maio de 2017
Poema de ângulo inverso
Volta e meia recordo o início de um romance
em que um condutor viaja por uma estrada sinuosa.
À saída de uma curva encontra um homem desprecavido.
O homem do carro tinha tempo para travar ou para se desviar mas decidiu prosseguir.
Sinto que este acontecimento é uma espécie de metáfora da minha vida.
Só não consigo descodificá-la.
Sou quem conduz? Sou o veículo? Sou a vítima?
Sou a estrada?
Às tantas isto é tudo um grande oxímoro.
Paulo José Borges
em que um condutor viaja por uma estrada sinuosa.
À saída de uma curva encontra um homem desprecavido.
O homem do carro tinha tempo para travar ou para se desviar mas decidiu prosseguir.
Sinto que este acontecimento é uma espécie de metáfora da minha vida.
Só não consigo descodificá-la.
Sou quem conduz? Sou o veículo? Sou a vítima?
Sou a estrada?
Às tantas isto é tudo um grande oxímoro.
Paulo José Borges
quarta-feira, 26 de abril de 2017
Poema do hic et nunc
para o Rui
Acordas, saltas da cama e logo uma
parte de ti
ficou dentro do quarto.
Sais a correr aos pedaços, comes pelo caminho aos bocados,
entras para o comboio, as portas trancam-se e
parte de ti
ficou no cais.
(Esta até a mim me doeu).
Fragmentas-te no sono, enquanto dormitas no trajecto, mas
parte de ti
ficou pendurada na rapariga que, por incrível que pareça,
estava a ler um livro.
Chegas ao trabalho, mas
parte de ti
foi lá ter, a meter a fralda p´ra dentro,
com a barba por fazer.
..........................................................
Regressas. A tua voz ficou lá para trás;
não te trouxeste todo.
Avançaste o dia inteiro a mais de 24 frames
por segundo.
Não te admires se ao espelho deres conta
de te faltarem não sei quantos píxeis.
Ainda não acabaste de chegar.
Parte de ti ficar.
terça-feira, 25 de abril de 2017
Four / Twenty Five (esboço #44)
Abril encarnou na praça
uma canção cravejada de flores
e o povo saiu à rua
de lágrimas em punho.
O momento respirou fundo a ganhar tempo
e acordaram todos felizes para sempre.
Paulo José Borges
quinta-feira, 20 de abril de 2017
Poema do Carcereiro
mordo os meu lábios com força
beijo como a Florbela mas a mim mesmo.
amordaço-me manieto os meus melhores
intentos
algemo-me agrilhoo-me
coloco bolas pesadas nos pés
sou cativo fechado por dentro.
uso colete de forças
correntes e mergulho de cabeça para baixo:
Houdini de trazer por casa com síndrome de
Estocolmo cercado por dentro.
que soco poderoso no estômago só de
imaginar o rio depois do fosso.
falando verdade
depois de cada passo à bebé olho para trás
e orgulho-me de cada cratera cavada
com desvelo.
o passo seguinte? não sei.
minha mãe, dá licença?
Paulo José Borges
(para ouvir clique aqui.)
beijo como a Florbela mas a mim mesmo.
amordaço-me manieto os meus melhores
intentos
algemo-me agrilhoo-me
coloco bolas pesadas nos pés
sou cativo fechado por dentro.
uso colete de forças
correntes e mergulho de cabeça para baixo:
Houdini de trazer por casa com síndrome de
Estocolmo cercado por dentro.
que soco poderoso no estômago só de
imaginar o rio depois do fosso.
falando verdade
depois de cada passo à bebé olho para trás
e orgulho-me de cada cratera cavada
com desvelo.
o passo seguinte? não sei.
minha mãe, dá licença?
Paulo José Borges
(para ouvir clique aqui.)
domingo, 16 de abril de 2017
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