sabes que me está a apetecer
muito gostar de ti.
e a querer aprender-te
os cheiros e a que temperatura respira
a tua pele.
e a pretender sincronizar o meu calendário com
o teu e os com passos.
e a desejar ler-te o que resta do
livro da vida que se quiseres
ainda nem sequer começou.
sabes que o teu sorriso contagia
o meu como se tudo fosse.
e que intuo que fomos refeitos
um para o outro.
e que já nem sei pôr o intenso
por extenso
nem como resolver esta estrofe sem refrão.
achas bem.
achas bem.
Paulo José Borges
ouve aqui com todos os pontos de interrogação.
domingo, 22 de julho de 2018
segunda-feira, 9 de julho de 2018
Poema prêt-à-porter
Como aroma a roupa acabada de estrear
não quero lavar-me de ti.
Só peço que
a tua essência em mim não seja mal
impregnada.
Paulo José Borges
sexta-feira, 8 de junho de 2018
Eu saio sozinho
não repitas sempre
os mesmos gestos:
é feio.
não dês sempre
os mesmos passos:
ficas a marcá-los.
não escolhas sempre
os mesmos trilhos:
ainda te magoas
encravado.
não ensaies tantas vezes
o mesmo ato:
ao saíres de cena
ninguém tolera
o espalhafato.
Paulo José Borges
clica aqui para ouvires.
os mesmos gestos:
é feio.
não dês sempre
os mesmos passos:
ficas a marcá-los.
não escolhas sempre
os mesmos trilhos:
ainda te magoas
encravado.
não ensaies tantas vezes
o mesmo ato:
ao saíres de cena
ninguém tolera
o espalhafato.
Paulo José Borges
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quarta-feira, 30 de maio de 2018
Tão certo
tão certo quanto
começar a chover quando
ponderadamente levei
meses a decidir lavar o carro
tão certo quanto
confundirem a minha
desinteressada bondade
com declarada falta de firmeza
tão certo quanto
quem nunca se empenhou
um momento
seja o primeiro a pedir contas
tão certo quanto
conspurcarem imperiosamente
aquilo que acabei de limpar
é o meu amor por ti
tanto quanto o daquela fotografia
onde nos fixámos os dois.
Paulo José Borges
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começar a chover quando
ponderadamente levei
meses a decidir lavar o carro
tão certo quanto
confundirem a minha
desinteressada bondade
com declarada falta de firmeza
tão certo quanto
quem nunca se empenhou
um momento
seja o primeiro a pedir contas
tão certo quanto
conspurcarem imperiosamente
aquilo que acabei de limpar
é o meu amor por ti
tanto quanto o daquela fotografia
onde nos fixámos os dois.
Paulo José Borges
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sexta-feira, 11 de maio de 2018
Como nos filmes
Quando apareceste
(até me vem o sorriso aos olhos)
senti-te logo como o calor da
terra quente que nos sai ao
caminho logo pela manhã.
De soslaio meti-te logo
no bolso de dentro e levantei a gola
para me convencer do disfarce.
Tudo ali tinha tudo para ser
um lugar inusitado
mas talvez por isso o teu olhar
se tenha emaranhado todo no meu.
Sim foi por isso que não consegui
desfiar
o olhar.
Mas o grande mistério do mundo
é que quisesses livre e deliberada
vir habitar o meu forro
sem prazo e questionamento.
Levei-te para o meu quarto
de hotel
como nos filmes
onde com pouquíssima roupa
qual conluiada com Vénus (dos amores)
olhavas da janela as ilhas
de gentes lá em baixo (e os rumores).
O que me massacrava as meninges
apertadas em torniquete era a pergunta de
Sophia: que faria eu com a tua inocência?
Virámos entretanto a cidade do avesso
escolhi alcatifas à distância
tirei fotografias de conveniência
e quando tudo podia ter acontecido
porque éramos guardiões do nosso exclusivo
tempo e porque
o que quer que fizéssemos seria justo e certo
fizemos o que nos pareceu justo e certo:
desejámo-nos sorte, coisas boas e
memória eterna.
Depois encontrei-te já de táxi
como nos filmes
saí para o meio da multidão
sussurrei-te ao ouvido um
beijo escarlate e só muito mais tarde
me lembrei do casaco.
Paulo José Borges
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(até me vem o sorriso aos olhos)
senti-te logo como o calor da
terra quente que nos sai ao
caminho logo pela manhã.
De soslaio meti-te logo
no bolso de dentro e levantei a gola
para me convencer do disfarce.
Tudo ali tinha tudo para ser
um lugar inusitado
mas talvez por isso o teu olhar
se tenha emaranhado todo no meu.
Sim foi por isso que não consegui
desfiar
o olhar.
Mas o grande mistério do mundo
é que quisesses livre e deliberada
vir habitar o meu forro
sem prazo e questionamento.
Levei-te para o meu quarto
de hotel
como nos filmes
onde com pouquíssima roupa
qual conluiada com Vénus (dos amores)
olhavas da janela as ilhas
de gentes lá em baixo (e os rumores).
O que me massacrava as meninges
apertadas em torniquete era a pergunta de
Sophia: que faria eu com a tua inocência?
Virámos entretanto a cidade do avesso
escolhi alcatifas à distância
tirei fotografias de conveniência
e quando tudo podia ter acontecido
porque éramos guardiões do nosso exclusivo
tempo e porque
o que quer que fizéssemos seria justo e certo
fizemos o que nos pareceu justo e certo:
desejámo-nos sorte, coisas boas e
memória eterna.
Depois encontrei-te já de táxi
como nos filmes
saí para o meio da multidão
sussurrei-te ao ouvido um
beijo escarlate e só muito mais tarde
me lembrei do casaco.
Paulo José Borges
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sexta-feira, 4 de maio de 2018
sábado, 21 de abril de 2018
Poema do teu lado
João 19:34
Do teu lado
sei de água;
Do teu lado
sei de sangue:
Vida que não estanca
por dentro e por fora,
para sempre e agora.
Do teu lado
adivinho o caminho;
Do teu lado
adivinho a porta:
Vida que não estanca
por dentro e por fora,
para sempre e agora.
Do teu lado
fito a verdade;
Do teu lado
faz-se luz:
Vida que não estanca
por dentro e por fora,
para sempre é a hora.
Paulo José Borges
Do teu lado
Do teu lado
sei de sangue:
Vida que não estanca
por dentro e por fora,
para sempre e agora.
Do teu lado
adivinho o caminho;
Do teu lado
adivinho a porta:
Vida que não estanca
por dentro e por fora,
para sempre e agora.
Do teu lado
fito a verdade;
Do teu lado
faz-se luz:
Vida que não estanca
por dentro e por fora,
para sempre é a hora.
Paulo José Borges
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