Com um bocadinho de
sorte pode acontecer que
nunca te estragues
que te conserves
que ludibries a oxidação.
É só uma questão de entrares
em modo economia:
ficas em stand-by
suspensão e em casos extremos
hibernação.
(Compreendo bem a perplexidade
com que observas pessoas
que caminham em tapetes rolantes:
como é que é possível
tanto desperdício de energia?)
O ideal era uma redoma
uma bolha protectora
um banho-maria prolongado
que atrasasse a tua
obsolescência programada.
Ou então que por via
de um insondável erro de formatação
pudesses viver para sempre
estagnado
em cinza
congelado.
Paulo José Borges
áudio aqui.
segunda-feira, 6 de agosto de 2018
terça-feira, 31 de julho de 2018
As sure as
As sure as
it will always rain
after I've pondered for months
before washing my car
As sure as
one mistakes my unselfish
kindness with blantant
lack of determination
As sure as
someone who never tried
is the first to ask for reward
As sure as
someone will always
tarnish what I've
just cleaned
Is my love for you
as in that photograph
in which we were
forever fixed
Paulo José Borges
it will always rain
after I've pondered for months
before washing my car
As sure as
one mistakes my unselfish
kindness with blantant
lack of determination
As sure as
someone who never tried
is the first to ask for reward
As sure as
someone will always
tarnish what I've
just cleaned
Is my love for you
as in that photograph
in which we were
forever fixed
Paulo José Borges
domingo, 22 de julho de 2018
Poema do tipo interrogativo
sabes que me está a apetecer
muito gostar de ti.
e a querer aprender-te
os cheiros e a que temperatura respira
a tua pele.
e a pretender sincronizar o meu calendário com
o teu e os com passos.
e a desejar ler-te o que resta do
livro da vida que se quiseres
ainda nem sequer começou.
sabes que o teu sorriso contagia
o meu como se tudo fosse.
e que intuo que fomos refeitos
um para o outro.
e que já nem sei pôr o intenso
por extenso
nem como resolver esta estrofe sem refrão.
achas bem.
achas bem.
Paulo José Borges
ouve aqui com todos os pontos de interrogação.
muito gostar de ti.
e a querer aprender-te
os cheiros e a que temperatura respira
a tua pele.
e a pretender sincronizar o meu calendário com
o teu e os com passos.
e a desejar ler-te o que resta do
livro da vida que se quiseres
ainda nem sequer começou.
sabes que o teu sorriso contagia
o meu como se tudo fosse.
e que intuo que fomos refeitos
um para o outro.
e que já nem sei pôr o intenso
por extenso
nem como resolver esta estrofe sem refrão.
achas bem.
achas bem.
Paulo José Borges
ouve aqui com todos os pontos de interrogação.
segunda-feira, 9 de julho de 2018
Poema prêt-à-porter
Como aroma a roupa acabada de estrear
não quero lavar-me de ti.
Só peço que
a tua essência em mim não seja mal
impregnada.
Paulo José Borges
sexta-feira, 8 de junho de 2018
Eu saio sozinho
não repitas sempre
os mesmos gestos:
é feio.
não dês sempre
os mesmos passos:
ficas a marcá-los.
não escolhas sempre
os mesmos trilhos:
ainda te magoas
encravado.
não ensaies tantas vezes
o mesmo ato:
ao saíres de cena
ninguém tolera
o espalhafato.
Paulo José Borges
clica aqui para ouvires.
os mesmos gestos:
é feio.
não dês sempre
os mesmos passos:
ficas a marcá-los.
não escolhas sempre
os mesmos trilhos:
ainda te magoas
encravado.
não ensaies tantas vezes
o mesmo ato:
ao saíres de cena
ninguém tolera
o espalhafato.
Paulo José Borges
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quarta-feira, 30 de maio de 2018
Tão certo
tão certo quanto
começar a chover quando
ponderadamente levei
meses a decidir lavar o carro
tão certo quanto
confundirem a minha
desinteressada bondade
com declarada falta de firmeza
tão certo quanto
quem nunca se empenhou
um momento
seja o primeiro a pedir contas
tão certo quanto
conspurcarem imperiosamente
aquilo que acabei de limpar
é o meu amor por ti
tanto quanto o daquela fotografia
onde nos fixámos os dois.
Paulo José Borges
clica aqui para ouvires
começar a chover quando
ponderadamente levei
meses a decidir lavar o carro
tão certo quanto
confundirem a minha
desinteressada bondade
com declarada falta de firmeza
tão certo quanto
quem nunca se empenhou
um momento
seja o primeiro a pedir contas
tão certo quanto
conspurcarem imperiosamente
aquilo que acabei de limpar
é o meu amor por ti
tanto quanto o daquela fotografia
onde nos fixámos os dois.
Paulo José Borges
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sexta-feira, 11 de maio de 2018
Como nos filmes
Quando apareceste
(até me vem o sorriso aos olhos)
senti-te logo como o calor da
terra quente que nos sai ao
caminho logo pela manhã.
De soslaio meti-te logo
no bolso de dentro e levantei a gola
para me convencer do disfarce.
Tudo ali tinha tudo para ser
um lugar inusitado
mas talvez por isso o teu olhar
se tenha emaranhado todo no meu.
Sim foi por isso que não consegui
desfiar
o olhar.
Mas o grande mistério do mundo
é que quisesses livre e deliberada
vir habitar o meu forro
sem prazo e questionamento.
Levei-te para o meu quarto
de hotel
como nos filmes
onde com pouquíssima roupa
qual conluiada com Vénus (dos amores)
olhavas da janela as ilhas
de gentes lá em baixo (e os rumores).
O que me massacrava as meninges
apertadas em torniquete era a pergunta de
Sophia: que faria eu com a tua inocência?
Virámos entretanto a cidade do avesso
escolhi alcatifas à distância
tirei fotografias de conveniência
e quando tudo podia ter acontecido
porque éramos guardiões do nosso exclusivo
tempo e porque
o que quer que fizéssemos seria justo e certo
fizemos o que nos pareceu justo e certo:
desejámo-nos sorte, coisas boas e
memória eterna.
Depois encontrei-te já de táxi
como nos filmes
saí para o meio da multidão
sussurrei-te ao ouvido um
beijo escarlate e só muito mais tarde
me lembrei do casaco.
Paulo José Borges
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(até me vem o sorriso aos olhos)
senti-te logo como o calor da
terra quente que nos sai ao
caminho logo pela manhã.
De soslaio meti-te logo
no bolso de dentro e levantei a gola
para me convencer do disfarce.
Tudo ali tinha tudo para ser
um lugar inusitado
mas talvez por isso o teu olhar
se tenha emaranhado todo no meu.
Sim foi por isso que não consegui
desfiar
o olhar.
Mas o grande mistério do mundo
é que quisesses livre e deliberada
vir habitar o meu forro
sem prazo e questionamento.
Levei-te para o meu quarto
de hotel
como nos filmes
onde com pouquíssima roupa
qual conluiada com Vénus (dos amores)
olhavas da janela as ilhas
de gentes lá em baixo (e os rumores).
O que me massacrava as meninges
apertadas em torniquete era a pergunta de
Sophia: que faria eu com a tua inocência?
Virámos entretanto a cidade do avesso
escolhi alcatifas à distância
tirei fotografias de conveniência
e quando tudo podia ter acontecido
porque éramos guardiões do nosso exclusivo
tempo e porque
o que quer que fizéssemos seria justo e certo
fizemos o que nos pareceu justo e certo:
desejámo-nos sorte, coisas boas e
memória eterna.
Depois encontrei-te já de táxi
como nos filmes
saí para o meio da multidão
sussurrei-te ao ouvido um
beijo escarlate e só muito mais tarde
me lembrei do casaco.
Paulo José Borges
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