domingo, 12 de maio de 2019

Ensino básico



É quando olho para ti
que finalmente entendo por que razão
a Física e a Química
fazem parte da mesma matéria.

                       Paulo José Borges

domingo, 21 de abril de 2019

Proposição, invocação e dedicatória

cantar
exultar
exaltar
glorificar
bendizer
louvar
enaltecer
honrar
homenagear
engrandecer
enobrecer
elogiar
sublimar
celebrar


                          Paulo José Borges

domingo, 7 de abril de 2019

Mudança da Hora

Quando o Amor vier
E já veio
Abre as portas todas
Do invólucro que habitas
E franqueia o Agora no teu seio.


                               Paulo José Borges


sábado, 23 de março de 2019

Lição sobre a mágoa




Foi neste líquido que numa noite cálida de Verão,
sob um luar gomoso e branco de camélia,
apareceu a boiar o cadáver de Ofélia
com um nenúfar na mão.
António Gedeão in Lição sobre a água


Este vazio é a mágoa:
em estado sólido
sem amor
é uma praça maior em Espanha
sem sombra nas esplanadas ao calor.

A mágoa geralmente
embora com exceções
é de etiologia incipiente.
Mas quando se instala
seca tudo à volta
como deserto à depressão normal.

As lágrimas da mágoa
podem ensaiar-se a frio
ou experimentar ao lume
que o resultado é sempre o mesmo:
um silêncio a boiar no negrume.

                    Paulo José Borges







sábado, 2 de março de 2019

Adoro quando me rotulas

Se não parto um prato
é porque não o parto.
Se falo perco a contenção.
Se calo se vai a ocasião.

Preso por ter cão
que não te pode morder.


                            Paulo José Borges

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2019

Canteiro

                                                                                                    para a Andreia 


Quantas flores têm
os teus amores, 
quantas cores? 

               Quantos risos das crianças dos outros 
               habituadas a t’abraçar? 
               Quantos alvéolos dás aos seus ares 
               quando as inspiras a conta notas? 


Do húmus brotam anjos 
esvoaçando acrobacias e chilreios, 
de melo 
               dias com que os enfeitas. 




Paulo José Borges

quinta-feira, 24 de janeiro de 2019

Para sempre

Morrem-nos pessoas por entre as mãos.
Morrem-nos pessoas como irmãos.

In extremis procuramos o seu resgate
do chão
colhendo os pretéritos mais do que passados para que não se esqueça quem
ainda são.

Restam-nos intermitentes memórias que para sempre perdurarão se ao olvido
não adicionarmos ingratidão.


                                                          Paulo José Borges