se queres que
a verdade te diga
diz aos que se escandalizam
com a tua dor
magoada ou fingida
(em versos de negrume e de breu)
que se querem esperanças
euforias e flores engrinaldadas
todos os dias
que comam livros
de auto-ajuda às fatias.
com admiração e estima
Paulo José Borges
terça-feira, 28 de maio de 2019
domingo, 12 de maio de 2019
Ensino básico
É quando olho para ti
que finalmente entendo por que razão
a Física e a Química
fazem parte da mesma matéria.
Paulo José Borges
domingo, 21 de abril de 2019
Proposição, invocação e dedicatória
cantar
exultar
exaltar
glorificar
bendizer
louvar
enaltecer
honrar
homenagear
engrandecer
enobrecer
elogiar
sublimar
celebrar
Paulo José Borges
exultar
exaltar
glorificar
bendizer
louvar
enaltecer
honrar
homenagear
engrandecer
enobrecer
elogiar
sublimar
celebrar
Paulo José Borges
domingo, 7 de abril de 2019
Mudança da Hora
Quando o Amor vier
E já veio
Abre as portas todas
Do invólucro que habitas
E franqueia o Agora no teu seio.
Paulo José Borges
E já veio
Abre as portas todas
Do invólucro que habitas
E franqueia o Agora no teu seio.
Paulo José Borges
sábado, 23 de março de 2019
Lição sobre a mágoa
Foi neste líquido que numa noite cálida de Verão,
sob um luar gomoso e branco de camélia,
apareceu a boiar o cadáver de Ofélia
com um nenúfar na mão.
António Gedeão in Lição sobre a água
Este vazio é a mágoa:
em estado sólido
sem amor
é uma praça maior em Espanha
sem sombra nas esplanadas ao calor.
A mágoa geralmente
embora com exceções
é de etiologia incipiente.
Mas quando se instala
seca tudo à volta
como deserto à depressão normal.
As lágrimas da mágoa
podem ensaiar-se a frio
ou experimentar ao lume
que o resultado é sempre o mesmo:
um silêncio a boiar no negrume.
Paulo José Borges
sábado, 2 de março de 2019
Adoro quando me rotulas
Se não parto um prato
é porque não o parto.
Se falo perco a contenção.
Se calo se vai a ocasião.
Preso por ter cão
que não te pode morder.
Paulo José Borges
é porque não o parto.
Se falo perco a contenção.
Se calo se vai a ocasião.
Preso por ter cão
que não te pode morder.
Paulo José Borges
quarta-feira, 27 de fevereiro de 2019
Canteiro
para a Andreia
Quantas flores têm
os teus amores,
quantas cores?
Quantos risos das crianças dos outros
habituadas a t’abraçar?
Quantos alvéolos dás aos seus ares
quando as inspiras a conta notas?
Do húmus brotam anjos
esvoaçando acrobacias e chilreios,
de melo
dias com que os enfeitas.
Paulo José Borges
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