quarta-feira, 26 de junho de 2019

Com o Leviatã não se brinca

a minha dor tem sete cabeças
é uma serpente má e insinuosa
as espadas e arpões contra ela nada podem.

a minha dor
nem sei como vos conte
é uma Moby Dick do tamanho de bisonte.

vai mais fundo que o Nautilus
mas quando sente que a cura vem
põe-se a milhas ultramarinas.

o meu dragão marinho
é um monstro ingente,
uma hidra que me governa mas nem sempre.

às vezes lembra o monstro do lago Ness
às vezes esconde-se
às vezes aparece.

                                                Paulo José Borges

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terça-feira, 18 de junho de 2019

sexta-feira, 31 de maio de 2019

Um dia todos verão

Tu és a minha praia.
Quando chego a ti descalço-me primeiro
Ponho-me à vontade.
Nem em minha casa ando descalço
Mas mais que minha casa
Tu és a minha praia.

É em ti que estendo a toalha ao chão
Desisto de me esconder
Conto-te tudo sem nada te dizer.

Tu és bem a minha praia.
Conheço-te de olhos fechados
Como quem ultra vê à flor da pele
E banho-me de sal, de sol, de ti
Meu protector por inteiro.


                                Paulo José Borges

terça-feira, 28 de maio de 2019

Primeira dica para um jovem poeta

se queres que
a verdade te diga
diz aos que se escandalizam
com a tua dor
magoada ou fingida
(em versos de negrume e de breu)
que se querem esperanças
euforias e flores engrinaldadas
todos os dias
que comam livros
de auto-ajuda às fatias.

           com admiração e estima


                                    Paulo José Borges

domingo, 12 de maio de 2019

Ensino básico



É quando olho para ti
que finalmente entendo por que razão
a Física e a Química
fazem parte da mesma matéria.

                       Paulo José Borges

domingo, 21 de abril de 2019

Proposição, invocação e dedicatória

cantar
exultar
exaltar
glorificar
bendizer
louvar
enaltecer
honrar
homenagear
engrandecer
enobrecer
elogiar
sublimar
celebrar


                          Paulo José Borges

domingo, 7 de abril de 2019

Mudança da Hora

Quando o Amor vier
E já veio
Abre as portas todas
Do invólucro que habitas
E franqueia o Agora no teu seio.


                               Paulo José Borges