sábado, 24 de agosto de 2019
domingo, 18 de agosto de 2019
Inventário que nunca acaba
para a menina F.
não sei que verso te ofereça
que te mereça,
que metáfora que comparação.
e a hipérbole não chega a ser digna
de uma tão grande afeição.
poderia enveredar pelo caminho seguro
do pleonasmo e da redundância
mas simplifico ainda mais;
chamar-lhe-ei a lista do coração:
meu amor
minha fofa
meu abraço limpo
meu beijo de seda
minha luz
minha dádiva
minha incredulidade de cada dia
meu riso solto
meu amável obrigado e por favor
meu sonho cor de rosa e também azul
meu amor - sim agora começa tudo de novo.
Paulo José Borges
não sei que verso te ofereça
que te mereça,
que metáfora que comparação.
e a hipérbole não chega a ser digna
de uma tão grande afeição.
poderia enveredar pelo caminho seguro
do pleonasmo e da redundância
mas simplifico ainda mais;
chamar-lhe-ei a lista do coração:
meu amor
minha fofa
meu abraço limpo
meu beijo de seda
minha luz
minha dádiva
minha incredulidade de cada dia
meu riso solto
meu amável obrigado e por favor
meu sonho cor de rosa e também azul
meu amor - sim agora começa tudo de novo.
Paulo José Borges
quinta-feira, 11 de julho de 2019
Viver de aparências
Sucedia às vezes
à porta da estação de S. Bento
a minha mãe comprar chocolate sucedâneo.
Procediam de Espanha as tabletes
com vago sabor a cacau
que entravam aos quadrados racionados
no comboio da nossa digestão.
Era uma ficção consentida
uma ensaiada suspensão da incredulidade.
Fazíamos de conta como crianças amestradas
pois representando bem era chocolate suíço.
Ora também Platão nos concebia como
sucedâneos de uma arquetípica criação.
E assim com estes últimos versos extraímos
uma importante lição.
Paulo José Borges
terça-feira, 2 de julho de 2019
Impasse de dança
o teu silêncio é música
o teu não adivinhado é música
o teu olhar
o teu impossível olhar é música
a tua voz é música
as tuas mãos música são
e bem assim o teu não.
mas o teu corpo é orquestra
nem me importo se ainda não é desta.
o teu não adivinhado é música
o teu olhar
o teu impossível olhar é música
a tua voz é música
as tuas mãos música são
e bem assim o teu não.
mas o teu corpo é orquestra
nem me importo se ainda não é desta.
Paulo José Borges
quarta-feira, 26 de junho de 2019
Com o Leviatã não se brinca
a minha dor tem sete cabeças
é uma serpente má e insinuosa
as espadas e arpões contra ela nada podem.
a minha dor
nem sei como vos conte
é uma Moby Dick do tamanho de bisonte.
vai mais fundo que o Nautilus
mas quando sente que a cura vem
põe-se a milhas ultramarinas.
o meu dragão marinho
é um monstro ingente,
uma hidra que me governa mas nem sempre.
às vezes lembra o monstro do lago Ness
às vezes esconde-se
às vezes aparece.
Paulo José Borges
clica aqui para ouvires
é uma serpente má e insinuosa
as espadas e arpões contra ela nada podem.
a minha dor
nem sei como vos conte
é uma Moby Dick do tamanho de bisonte.
vai mais fundo que o Nautilus
mas quando sente que a cura vem
põe-se a milhas ultramarinas.
o meu dragão marinho
é um monstro ingente,
uma hidra que me governa mas nem sempre.
às vezes lembra o monstro do lago Ness
às vezes esconde-se
às vezes aparece.
Paulo José Borges
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terça-feira, 18 de junho de 2019
sexta-feira, 31 de maio de 2019
Um dia todos verão
Tu és a minha praia.
Quando chego a ti descalço-me primeiro
Ponho-me à vontade.
Nem em minha casa ando descalço
Mas mais que minha casa
Tu és a minha praia.
É em ti que estendo a toalha ao chão
Desisto de me esconder
Conto-te tudo sem nada te dizer.
Tu és bem a minha praia.
Conheço-te de olhos fechados
Como quem ultra vê à flor da pele
E banho-me de sal, de sol, de ti
Meu protector por inteiro.
Paulo José Borges
Quando chego a ti descalço-me primeiro
Ponho-me à vontade.
Nem em minha casa ando descalço
Mas mais que minha casa
Tu és a minha praia.
É em ti que estendo a toalha ao chão
Desisto de me esconder
Conto-te tudo sem nada te dizer.
Tu és bem a minha praia.
Conheço-te de olhos fechados
Como quem ultra vê à flor da pele
E banho-me de sal, de sol, de ti
Meu protector por inteiro.
Paulo José Borges
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