Combinámos tudo com minúcias,
pelo menos a parte do restaurante requintado.
Depois uma bebida sem pressa, alguns clichés,
mas tudo a saber a bom.
Prometes que não te esqueceste de ontem?
Chegámos a casa e começaste a despir-te lentamente,
devagar, pausadamente e eu quietinho
como menino bem mandado, em turbilhão.
Prometes que não te esqueceste de ontem?
Depois chegou a minha vez de te incendiar
em lume brando, envolvendo todo o teu corpo
com os olhos, os dedos, a boca, à vez, sem injustiçar nenhuma parte
de fora ou dentro de ti, claro que não.
Prometes que não te esqueceste de ontem?
O calor da tua pele, a tua pele Sorver todos os cheiros
do cabelo ao tornozelo. Tudo a arder em febre.
A ebulição, o êxtase, o repouso, o voltar
à calma, o voltar ao chão.
Prometes que não te esqueceste de ontem,
quando disseste que tinhas mesmo de ir?
Eu de cotovelo na cama a ver-te entrar na roupa
ao contrário do despir, foi tortura
pior do que a de a tirares - sublime provocação.
Esperei num esforço sobre-humano até que estivesses quase vestida
e despi-te toda sem contemplação. Sim, desta vez sem
contemplação.
Irremediavelmente retida, deve ter ficado zangado
o teu patrão.
Prometes que não te esqueceste de ontem,
pois não?
Ou se calhar não foi ontem, então.
Paulo José Borges
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