quinta-feira, 17 de junho de 2021

Não sinto nada...


um dia chamei-te esperança
cego como estava.
um dia chamei-te mudança
como se tu fosses escada.
chamei-te luz por ser
mais curta a grafia.
chamei-te amanhã só
para dobrar mais um dia.

um dia chamei-te minha
ignorando que se o foras
só o serias mesmo ao fundo da
                                            linha.

se te evoco, invoco,
recebo de volta apenas eco oco:
fundo fosso de lassidão.

um dia chamei-te esperança
cego como estava.

                                      Paulo José Borges