sábado, 5 de setembro de 2026

Brilha um esgar frio e quedo


Brilha um esgar frio e quedo.

O nevrálgico planeta diminuindo em pequenez

zela por mim na rasgada estepe

e marca tatuagem como carimbo enquanto nele crês.


Será assim que te marcarás sob

brumas na sagrada estepe e permafrost pouco duro.

Ou então não, que o tempo certo não anda.

Anda quieto, o cronológico, de mil e uma noites de Bagdad.

Doidas doidas andam as estações e os apeadeiros no

oposto dos incêndios e das calotes a morrer.


Reabre as comportas da minha sede.

Então, sairei de um grande peixe, o maior de 153,

são e salvo. Chama-me Jonas, Ahab ou David.


Desejo apenas o que me resta: o resto do oco.

Orai, irmãos, por vós e pelos meus escombros sob

batalhas derrotadas, batalhas bastardas, por tão pouco.

Orai, irmãos, por nós todos e por todo o mal,

lodo, pantanal, paul, tudo seco em Rafah.

Hoje, ontem, para sempre uma placa

atestando a desumanidade na avalanche do ódio de

Ontem. 

Dizem que foi só ontem. Hoje já não há.


                                                    © Paulo José Borges

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