Brilha um esgar frio e quedo.
O nevrálgico planeta diminuindo em pequenez
zela por mim na rasgada estepe
e marca tatuagem como carimbo enquanto nele crês.
Será assim que te marcarás sob
brumas na sagrada estepe e permafrost pouco duro.
Ou então não, que o tempo certo não anda.
Anda quieto, o cronológico, de mil e uma noites de Bagdad.
Doidas doidas andam as estações e os apeadeiros no
oposto dos incêndios e das calotes a morrer.
Reabre as comportas da minha sede.
Então, sairei de um grande peixe, o maior de 153,
são e salvo. Chama-me Jonas, Ahab ou David.
Desejo apenas o que me resta: o resto do oco.
Orai, irmãos, por vós e pelos meus escombros sob
batalhas derrotadas, batalhas bastardas, por tão pouco.
Orai, irmãos, por nós todos e por todo o mal,
lodo, pantanal, paul, tudo seco em Rafah.
Hoje, ontem, para sempre uma placa
atestando a desumanidade na avalanche do ódio de
Ontem.
Dizem que foi só ontem. Hoje já não há.
© Paulo José Borges
© Paulo José Borges
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