Hoje almocei contigo mesmo que não pudesses vir,
ou, mesmo que não pudesses ter vindo. Tentei dizer-te
que vinha almoçar contigo, tentei convidar-te,
mas eu não sei se estava.
E viemos, então, até junto ao mar que tu amas
E viemos, então, até junto ao mar que tu amas
pelo menos tanto como a mim. E deixámo-nos estar
mergulhados um no outro. Molhámo-nos de lágrimas
que são colírios da alma e que lavam tudo limpidamente.
E falámos muito. Com os olhos.
Que sabem as línguas todas e que
são sempre pentecostes do que se sente cá dentro.
Houve uma luz intensa que desafiou com sucesso a do sol,
Houve uma luz intensa que desafiou com sucesso a do sol,
e a fina névoa cobriu-nos os beijos.
Só não te agradeço o teres vindo, porque sei que mo levavas a mal.
Paulo José Borges
Um encontro feito de ausência? Quem é que não estava? O sujeito, o objecto, ambos (eu não sei se "estava")?
ResponderEliminarImagem soberba a da névoa que cobre os beijos que não se partilharam.
Absolutamente inédita a frase com que o termina.
Arrebatador Paulo.
obrigado. eram outros tempos. até o possível era impossível ou vice-versa.
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