Na minha rua viviam
a Brazelina,
a Durvalina
o Porfírio,
a Aureliana
a Miquelina
a Iria
a Mimosa
a Evangelina
o Maximiliano
a Graziela
e até a Liberdade
o que é mais do que suficiente para que
vos roais de inveja.
só ainda não vos disse
que vivi a dois passos da
Felicidade.
Paulo José Borges
sábado, 30 de dezembro de 2017
sábado, 23 de dezembro de 2017
Poema always legal
para Rui Cavaleiro
acordo intermitente a meio
da noite com alterações climáticas
tenho calor e frio
sonhos cor de rosa e de breu.
às vezes sozinho às vezes solitário
tenho vigílias de icebergue e de solário.
tudo isto é assim sem mais explicações
seria abastado se ganhasse às frustrações.
Paulo José Borges
sexta-feira, 15 de dezembro de 2017
Poema eficaz
ao passar pela página 232 de
Explicação dos pássaros de António Lobo Antunes
Tomei hoje de manhã
a vacina da gripe contra a solidão.
Já me sinto quase imunizado.
Paulo José Borges
sábado, 9 de dezembro de 2017
Segundo poema do que podia ter sido
No auge de toda a turbulência, no monte,
Catherine dizia I am Heathcliff
Nunca se disse melhor do que isto.
E é como se na verdade eu tivesse abandonado o meu corpo,
to legasse, e me mudasse sem armas nem bagagens para
dentro do teu e me aconchegasses nele num cantinho esconso
junto à lareira, ou debaixo de uns ternos cobertores de inverno, estando frio.
Mudei-me para dentro de ti.
E não me digas que não estás em casa.
Paulo José Borges
Paulo José Borges
Primeiro poema do que podia ter sido
Hoje almocei contigo mesmo que não pudesses vir,
ou, mesmo que não pudesses ter vindo. Tentei dizer-te
que vinha almoçar contigo, tentei convidar-te,
mas eu não sei se estava.
E viemos, então, até junto ao mar que tu amas
E viemos, então, até junto ao mar que tu amas
pelo menos tanto como a mim. E deixámo-nos estar
mergulhados um no outro. Molhámo-nos de lágrimas
que são colírios da alma e que lavam tudo limpidamente.
E falámos muito. Com os olhos.
Que sabem as línguas todas e que
são sempre pentecostes do que se sente cá dentro.
Houve uma luz intensa que desafiou com sucesso a do sol,
Houve uma luz intensa que desafiou com sucesso a do sol,
e a fina névoa cobriu-nos os beijos.
Só não te agradeço o teres vindo, porque sei que mo levavas a mal.
Paulo José Borges
sexta-feira, 1 de dezembro de 2017
Poema suave ao toque
o que tenho de melhor
são as minhas
mãos
já não há molde
para isto
as minhas mãos
estão sempre quentes, sabes
ah pois
não sabes
Paulo José Borges
Clica aqui para seguires a linha da vida
são as minhas
mãos
já não há molde
para isto
as minhas mãos
estão sempre quentes, sabes
ah pois
não sabes
Paulo José Borges
Clica aqui para seguires a linha da vida
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